Sai Pedro, fica Paulina

Recebi através lista de e-mails as preocupações que transcrevo abaixo, com relação à saída de Pedro Abramovay e a nomeação de Paulina Duarte para a Secretaria Geral da SENAD:

“Desculpe-me se a noticia eh velha mas achei que valia avisar para alguns.

Q perda.

Alguem sabe das consequencias, eh soh jogo de cena? A substituta ta a altura?

Tem enquete no o globo e o retrocesso esta ganhando”

 

“Depois da boa entrevista do FH, isto eh andar para tras. Tomara que para cada passo para tras tenha dois para frente…

Abs

João”

 

Respondi:

Caro João Menezes,

Como você pergunta se a substituta está à altura de  Pedro Abramovay, respondo que sim. Se por um lado Pedro é o que poderíamos ter de mais avançado, Paulina Duarte deu à SENAD, enquanto Secretária Adjunta, representação nacional financiando pesquisas e projetos sérios e – muitas vezes – considerados avançados. Defensora das práticas redutoras de riscos e danos, orienta-se pelo e para o cuidado com os usuários de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas. Trabalhou na construção da proposta “Ações Integradas” que implica diversos campos do conhecimento, economizando esforços, recursos e, sobretudo, distanciando-se da malfadada e incapaz política repressora centrada nas substâncias. Posso dizer que a Dra. Paulina Duarte está muito mais preocupada com os consumidores do que com os produtos consumidos. Entretanto, todos temos limites – que podem ser ultrapassados como agora observamos nas declarações e escritos sobre drogas do Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso – e Dra. Paulina Duarte não parece concordar com a legalização pura e simples das atuais substâncias ilícitas nem com penas alternativas para pessoas utilizadas pelo grande tráfico, em geral mais vítimas do que algozes. A Argentina, nossos caríssimos vizinhos, compreenderam isto e não estão mais mandando para as cadeias (verdadeiras escolas do crime), los pequienos miserables que chamamos no Brasil, muito pejorativamente, de mulas, animais estéreis, feminino de burros. Creio que ela aceita a descriminalização do consumo de substâncias psicoativas ilícitas e não se opõe à despenalização do consumidor, o que não é pouco no Brasil. Aliás, coube a ela os esforços atuais para revisão da Lei de Tóxicos, promulgada em 2006; lembrar que foram necessários trinta anos para mudar a Lei anterior (6.368/1976). Não vai ser fácil para ela navegar nas águas do Ministério da Justiça (pessoalmente teria preferido Ministério da Saúde  ou Ministério da Cultura). Não teremos Pedro mas teremos Paulina que, certamente, “combaterá um bom combate”.

Codialmente,

Prof. Antonio Nery Filho

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